“Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila” - Fundação José Saramago
Como disse Fernando Meirelles: “O mundo ficou mais burro e cego”. Tivemos uma perda muito grande, Saramago sem sombra de dúvidas foi o maior escritor do século XX. Para mim é difícil não sentir a morte dele, seus livros marcaram a minha vida. Conheci sua obra quando estava no começo do Ensino Médio, minha professora de Literatura fazia sua dissertação de mestrado sobre ele e me indicou o livro “Memorial do Convento”, impossível foi não me apaixonar pelo casal Blimunda Sete-Luas e Baltazar Sete-Sóis. Depois veio “Evangelho Segundo Jesus Cristo” com seu Jesus humanizado; “Ensaio sobre a Cegueira” sem comentários, simplesmente perfeito e o último que li foi “A Viagem do Elefante”.
Aliás, lembro como se fosse ontem de quando comprei “A Viagem do Elefante”, eu precisava desse livro, quando sai da livraria com ele me senti plena, tirava da sacola e ficava olhando a capa, era uma criança com um brinquedo novo. Como pode um livro provocar uma sensação tão boa?
Tenho uma entrevista dele, muito antiga, de quando ganhou o Nobel de literatura e vários recortes de jornal. Tínhamos uma relação bem estreita, íntima de escritor e leitor, todos esses livros que mencionei ainda estão vivos dentro de mim, imagens, vozes, lugares que construi através de suas palavras.
Queria deixar registrada essa pequena homenagem e de consolo me resta saber que meus filhos, um dia, poderão conhecê-lo.
Nós não o perdemos, porque o tesouro que ele nos deixou é muito maior. Saramago nos enriqueceu, somos milionários.
Liziane Parreira
Fotos: g1.globo.com por Sebastião Salgado



