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Milão, a nossa São Paulo Italiana

Voltando ao assunto sobre a viagem à Europa, faltava falar sobre Milão, uma cidade muita rica que lembra em muito São Paulo, só que mais limpa e organizada.

De Roma à Milão, fomos de trem normal mesmo, com duração de seis horas e meia. Ao longo do trajeto, você faz paradas em muitas cidades, como Firenze, Parma e Modena, a cidade da Maserati. As paisagens são bem interessantes também e as vezes se assemelham muito com as daqui.

No entanto, a viagem é um pouco cansativa, as cabines são para seis pessoas e não são muito confortáveis. O que acabou distraindo a gente foi uma conversa entre uma moça mais ou menos jovem, e um homem um pouco mais velho. A conversa começou falando de futebol, e terminou falando de sexo e relacionamento.

O italiano é uma língua fácil e deu pra entender várias partes da inflamada conversa. A moça era uma “tiffosi” do Bari e entendia muito de futebol, tanto que um passageiro da cabine ao lado da nossa ouviu a conversa e foi defender os Ultras (organizadas), dos quais ela tanto metia o pau.

Eu estava cochilando quando ouvi a moça dizer algo assim: “se ele fizer, que pelo menos não me deixe saber”. Quase dei risada na hora. O homem argumentava sobre relacionamento e adultério, e provocava a ira da moça, que aumentava cada vez mais o tom da voz. Foi uma experiência interessante, pois mostra que o comportamento das pessoas é igual em qualquer parte do mundo.

Quando chegamos ao terminal de Milão já era bem tarde e estávamos morrendo de fome. Tomamos um banho e fomos procurar um restaurante. A cidade parecia deserta, muito calma, e resolvemos arriscar uma caminhada pelas ruas da cidade.

Por sorte, achamos o Art Factory, um bar bem legal onde o pessoal comemora aniversário e faz um “esquenta” pras baladas mais fortes. Por sete euros, você toma uma cerveja e ainda mata a fome com uma variedade muito grande de pratos e salgados, mas isso só até as 22h.

Percebemos que as pessoas já estavam indo embora e resolvemos perguntar se tinha alguma balada boa na cidade. Um garçom muito gente fina foi direto e disse: Loola Paloosa.

Essa balada fica num lugar onde se concentram a maioria, senão todas as baladas mais fortes de Milão. Chegando na porta o segurança perguntou de onde éramos, e quando falei que era Brasileiro ele liberou a passagem prontamente. Nos sentimos VIPs naquela hora, sendo tratados melhores que em nosso próprio país.

A balada é muuuuito boa e lembra as boas daqui de São Paulo. A entrada não é nenhum absurdo, 15 euros com direito a um drink (pode ser até vodka c/ energético). Como o drink lá é caro (10 euros), resolvemos comprar uma garrafa de Absolut c/ cinco energéticos. A brincadeira saiu 130 euros, mas valeu a pena. A noite só não foi perfeita porque um amigo bebeu demais e teve que ser levado a um hospital público.

Uma dica importante quando viajarem para o exterior é nunca sair sem o talão do seguro viagem. Os hospitais públicos de lá não costumam tratar bem estrangeiros, ainda mais bêbados. A explicação disso é que muitos viajavam pra Europa pra se tratar nos bons hospitais europeus, e quem arcava com a conta eram os contribuintes.

O dia seguinte era um dos mais importantes pra mim e pro Paulo, dia do jogo Milan x Roma. Eu sonhava com isso e não perderia esse jogo por nada. Então, enquanto o Juliano curtia a ressaca no hotel,  fomos nos informar sobre qual ônibus deveríamos pegar pra descer numa praça perto do San Siro, chamada Piazzale Lorenzo Lotto.

Da praça até o San Siro é uma boa caminhada. Vendo pelo Google Earth, achei que fosse mais perto. Como chegamos cedo, não tivemos problemas pra comprar o ingresso. O time da casa não estava tão bem e sobraram cadeiras em todo o estádio. Por 34 euros, pegamos uma cadeira entre o meio e a curva, e com uma ótima visão do estádio.

Duas observações importantes: primeira – as curvas ficam atrás dos gols e são destinadas aos Ultras, as torcidas organizadas deles. Portanto, procurem comprar sempre no meio do estádio.  Segunda – os ingressos só são vendidos para cidadãos estrangeiros mediante a apresentação do passaporte.

Como os jogos aos domingos começam às 20h, aproveitamos o tempo para comprar um cachecol do time e comer alguma coisa. Aliás, lá não tem “barraca” de pernil e lingüiça, eles vendem sanduiches e salgadinhos em ônibus que se transformam em lanchonete. Tudo é muito limpo e organizado.  O Paulo arriscou comer um sandubão antes do jogo.  Eu preferi depois, mas nenhum dos dois tiveram que correr para o banheiro…rs

Faltava uma hora e meia para o jogo e estávamos super ansiosos. Resolvemos entrar logo e curtir aquela maravilha de estádio. Como ele é grande e lindo. Todos os lugares são cobertos, mesmo as curvas. Pelo preço que pagamos, nas devidas proporções, só conseguiríamos uma numerada descoberta aqui no Brasil.

Antes do inicio do jogo, vídeos e reportagens são exibidos no telão do estádio, que é um show a parte. Eles mostram tudo, inclusive a chegada das delegações às dependências do estádio.

O que mais achei interessante é o fato de ambos os times subirem ao gramado para o aquecimento. Isso aqui no Brasil é muito raro. Os times preferem fazer tudo dentro do vestiário. Dá uma olhada no Ronaldinho fazendo as firulas dele…rs

Naquele dia demos sorte, o Milan ganhou do Roma por 2×1, dois gols de brasileiros (Pato e Ronaldinho). No começo pensei que seríamos os maiores pés frios, pois foi o Roma que saiu na frente.

Saímos de lá com a sensação de um sonho realizado. Para quem ficava imaginando como era o San Siro enquanto jogava Fifa no vídeo game, foi uma coisa indescritível. Abaixo os videos com os melhores momentos e um outro que a gente gravou no momento do gol do Ronaldinho.

A viagem de volta estava marcada para as 7:15 da manhã, no aeroporto Malpensa. Ele fica muito longe da cidade e, como o ônibus que vai direto pra lá saia apenas às 5h, não quisemos arriscar e pagamos 100 euros para um taxista nos levar.

Vamos às dicas de Milão:

O hotel onde ficamos é três estrelas mas parece quatro. Os quartos são acarpetados e bem espaçosos. O único problema lá é a internet, que custa 5 euros a hora.

Hotel Cristallo – Via Domenico Scarlatti, 22 – http://www.hotelcristallomilan.com

Como a cidade é muito grande, aconselho a pesquisar bem antes de aventurar na cidade. Existem muitas linhas de ônibus e metrô.

As baladas em Milão são bem agitadas. No mesmo lugar onde está o Loola Paloosa, tem outras que parecem bem legais, mas não vá sem antes passar no Art Factory e fazer um esquenta.

Artfactory – http://www.artfactory.it

Loola Paoola – http://www.loolapaloosa.com

O que posso dizer depois de ter visitado essas cidades é que valeu muito a pena. Foram experiências muito boas. Eu tinha uma idéia muito exagerada com relação a preconceito e arrogância, mas não é bem assim.

Preconceito existe em qualquer parte do mundo, mas em nenhum momento fomos mal tratados. Muito pelo contrário, o brasileiro é bem vindo em muitos lugares.

Outra coisa que pude constatar é o quanto eles são evoluídos como cidadãos. Não tem essa de levar vantagem, de ser malandro. Eles respeitam as leis.

Toda a historia que envolve o velho continente, as pessoas que vivem lá fazem com que uma viagem como essa seja uma experiência de vida.

Abraço a todos,

Rodrigo



2 Comentarios to " Milão, a nossa São Paulo Italiana "

  1. online disse:

    ler todo o blog, muito bom

  2. thaise disse:

    Olá,

    Onde posso obter um informação (confiável) sobre calendário dos jogos do milan no san siro, estou pesquisando e já achei o mesmo jogo agendado no dia 25/09 e 26/09 e em diferentes horários! Não estarei hospedada em milão então não posso correr o risco de chegar lá e não ter nada. Se tiver essa informação agradeço!!

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